Paulo Roberto Gomes Fernandes, CEO da Liderroll, acompanha a movimentação geopolítica em torno do gás natural desde que a Europa passou a buscar alternativas urgentes à dependência do suprimento russo. A guerra na Ucrânia agravou um desequilíbrio que vinha se formando há anos, à medida que o continente apostava em fontes renováveis ainda caras e intermitentes sem diversificar, na mesma velocidade, suas rotas e fornecedores de petróleo e gás.
Nesse contexto, a região do Mar Cáspio volta ao centro das atenções como uma das poucas fontes capazes de oferecer volumes significativos, infraestrutura já instalada e novas possibilidades de conexão com o mercado europeu.
Crise energética europeia e a busca por novas rotas de gás
Com a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o mercado global de energia entrou em desordem. Países europeus, que por anos dependeram fortemente do gás russo, se viram diante da necessidade de encontrar fornecedores alternativos em pouco tempo. A resposta imediata foi olhar para várias direções: o Norte da África, o Mediterrâneo Oriental, exportações de gás natural liquefeito de Estados Unidos e países do Golfo Pérsico, entre outras opções emergenciais.
O problema é que muitas dessas alternativas exigem investimentos pesados em terminais de GNL, contratos complexos de longo prazo e adaptação de infraestrutura interna. Como destaca a análise de especialistas acompanhada por Paulo Roberto Gomes Fernandes, o custo e o tempo de implantação dessas soluções tensionam ainda mais o delicado equilíbrio entre segurança energética, preço final e metas climáticas. Com isso, volta a ganhar força a busca por rotas terrestres e marítimas que permitam ampliar o fluxo de gás por meio de gasodutos, solução mais competitiva do que o transporte em GNL em distâncias relativamente curtas.
O potencial do Mar Cáspio e a ideia do gasoduto transcaspiano
A região do Mar Cáspio reúne vantagens que chamam a atenção da Europa. Estima-se a existência de cerca de 292 trilhões de pés cúbicos de gás natural em reservas provadas e prováveis, além de uma malha de gasodutos já consolidada, especialmente no lado ocidental, conectando países produtores a mercados europeus por meio do Corredor de Gás Meridional.
Apesar dessa base robusta, uma peça central ainda falta no quebra-cabeça energético: um gasoduto transcaspiano que ligue diretamente o Turcomenistão, na margem leste, ao Azerbaijão, na margem oeste. Hoje, sem essa conexão, não existe uma forma economicamente viável de transportar grandes volumes de gás da Ásia Central para a Europa sem passar pelo território russo. Transformar o gás em GNL para cruzar o Mar Cáspio seria caro demais para uma distância tão curta, inviabilizando o negócio do ponto de vista comercial.

Por décadas, a ideia de um gasoduto transcaspiano esbarrou em resistências políticas e jurídicas. Rússia e Irã, cientes de que o projeto reduziria sua influência sobre o abastecimento europeu, nunca apoiaram a proposta. Entretanto, a conjuntura atual é diferente: Moscou enfrenta sanções econômicas severas, enquanto Teerã lida com dificuldades internas e impasses em negociações internacionais.
Turcomenistão em crise e oportunidade para novos fluxos de receita
No centro dessa discussão está o Turcomenistão, um país com reservas de gás consideradas entre as maiores do mundo. Ao longo dos anos, o governo turcomeno concentrou suas exportações em poucos clientes, principalmente Rússia e China, ficando exposto à volatilidade de preços e à força de barganha de grandes compradores. O resultado é uma crise econômica persistente, agravada por um ambiente de negócios pouco atrativo, baixa privatização e problemas históricos de transparência e corrupção.
A transição de poder do ex-presidente Gurbanguly Berdimuhamedov para seu filho, Serdar, abre dúvidas sobre o grau de abertura a investimentos estrangeiros. O que parece claro, porém, é a necessidade de novos fluxos de receita para aliviar a situação interna. Nesse cenário, a construção de um gasoduto transcaspiano surge como oportunidade estratégica: permitiria ao Turcomenistão acessar diretamente o mercado europeu, diversificar parceiros e reduzir a dependência de poucos compradores.
A experiência da Liderroll e o papel de Paulo Roberto Gomes Fernandes na região
A presença brasileira nesse tabuleiro energético aparece por meio da trajetória da Liderroll e da atuação de Paulo Roberto Gomes Fernandes em conversações na Ásia Central. O executivo esteve no Turcomenistão discutindo a construção de um outro grande gasoduto, com potencial para levar gás a países como China, Afeganistão, Paquistão e Índia. O projeto inicial incluía a execução de um túnel de vários quilômetros cortando cadeias de montanhas da região, por onde parte da tubulação seria instalada.
Esse tipo de obra dialoga com a especialidade da Liderroll em soluções para dutos em ambientes confinados e de difícil acesso, área em que a empresa acumula patentes e cases de sucesso. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a combinação entre geografia desafiadora, necessidade de alta confiabilidade operacional e pressões ambientais exige metodologias construtivas inovadoras, capazes de reduzir riscos e, ao mesmo tempo, viabilizar economicamente projetos de grande porte.
Em um cenário em que Europa, Turquia, Azerbaijão e Turcomenistão discutem alternativas para ampliar o fluxo de gás rumo ao Ocidente, a experiência acumulada por empresas de engenharia especializadas em gasodutos complexos ganha relevância.
Autor: Ejax Persol

