Para o Pe. Jose Eduardo Oliveira e Silva, o símbolo litúrgico não é enfeite nem memória decorativa; é mediação real que educa a alma, purifica o olhar e torna presente aquilo que não se vê. Se você deseja compreender como a Igreja comunica o mistério de Deus por meio de gestos, cores, sons e objetos sagrados, continue a leitura e veja que esta reflexão apresenta o horizonte no qual a liturgia se torna linguagem viva da fé.
A linguagem do sagrado que alcança os sentidos
O símbolo litúrgico fala diretamente à sensibilidade humana. Luzes, incenso, vestes, água, pão, vinho, silêncio e canto compõem uma gramática que comunica o mistério de maneira acessível ao corpo e à alma. Segundo o teólogo Jose Eduardo Oliveira e Silva, essa linguagem não simplifica Deus, mas abre ao fiel um caminho de contemplação. Ao tocar os sentidos, o símbolo expande a inteligência e convida o coração a reconhecer que o invisível não é distante: está à porta, esperando ser acolhido.

A materialidade que aponta além de si
A liturgia utiliza elementos materiais porque Deus mesmo assumiu a carne. A encarnação fundamenta o uso sacramental da matéria. De acordo com o filósofo Jose Eduardo Oliveira e Silva, o símbolo litúrgico não aprisiona o mistério, mas o deixa transparecer. A água purifica porque remete ao renascimento; o óleo fortalece porque evoca o Espírito; a vela ilumina porque participa da luz de Cristo. Cada sinal carrega densidade espiritual que supera o material sem o desprezar. A fé, assim, passa pelo corpo para alcançar o espírito.
As cores, o tempo e a pedagogia dos símbolos
O simbolismo litúrgico organiza o tempo e educa o olhar. Roxo que convoca à penitência, branco que celebra a glória, verde que sustenta a esperança, vermelho que recorda sangue e fogo, cada cor forma uma disposição interior. Essa pedagogia visual molda o ritmo espiritual da comunidade, ajudando cada fiel a entrar no mistério celebrado. A liturgia não depende do improviso; possui coerência interna que o símbolo torna visível e compreensível.
Gestos que configuram o coração
Inclinações, genuflexões, silêncio profundo, procissões solenes, imposição das mãos, tudo fala. O corpo participa do culto e aprende a verdade não apenas pelo intelecto, mas pela postura. Os gestos litúrgicos educam afetos e determinam modos de presença. Eles revelam que o ser humano foi criado para adorar, e que a adoração envolve todo o ser. O gesto bem realizado não é teatralidade; é resposta adequada ao Deus que se manifesta.
A assembleia como ícone vivo
A própria comunidade reunida é símbolo. Pessoas diversas, unidas diante do mesmo mistério, tornam visível a obra da graça. Como destaca o Pe. Jose Eduardo Oliveira e Silva, a assembleia, quando celebra com verdade, torna-se sinal da comunhão futura, imagem provisória da Igreja gloriosa. Assim, o simbolismo litúrgico não apenas ornamenta a celebração; modela a identidade do povo que reza. O fiel aprende a ver a si mesmo e ao outro à luz desse mistério que une e transforma.
Quando o visível conduz ao eterno?
Os sinais visíveis do invisível: o simbolismo litúrgico mostram que a fé não se limita ao discurso; ela precisa de forma, cor, gesto, som e silêncio. Linguagem sensível, materialidade que aponta além, cores que educam, gestos que formam e assembleia que testemunha, tudo converge para um único centro: Deus se comunica ao homem por caminhos que respeitam sua humanidade. Como resume Jose Eduardo Oliveira e Silva, filósofo, a liturgia revela que o símbolo não oculta o mistério, mas o deixa habitar o mundo. Onde essa linguagem é acolhida, o coração aprende a ver o que permanece.
Autor: Ejax Persol

