De chatbots de atendimento a sistemas de monitoramento de balneabilidade em tempo real, a tecnologia começa a moldar a experiência das praias e a gestão dos destinos turísticos
O turismo de praia sempre dependeu de informações que chegavam tarde: o índice de balneabilidade divulgado dias depois do banho, a previsão do tempo consultada horas antes da viagem e a fila de hospedagem descoberta só na chegada à cidade. Em 2026, esse quadro começa a mudar graças à aplicação crescente de inteligência artificial na gestão de destinos turísticos. Para uma cidade como Guarujá, conhecida como a Pérola do Atlântico com seus 27 quilômetros de litoral e 27 praias, a tecnologia deixa de ser uma promessa distante para se tornar uma ferramenta concreta de gestão urbana e melhoria da experiência do visitante.
O setor de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações consolidou-se como o mais valioso do mundo, e a IA assume posição estratégica no desenho das organizações. Esse movimento já chegou às plataformas de turismo. Aplicativos que integram dados meteorológicos, histórico de balneabilidade e fluxo de veículos começam a ser usados por prefeituras de cidades litorâneas para planejar recursos humanos, orientar turistas e antecipar situações de sobrecarga de infraestrutura. Para o visitante, isso significa informações mais precisas antes e durante a viagem. Para a gestão municipal, significa menor custo operacional e menor impacto ambiental nas praias mais frequentadas. Claro
Guarujá e a nova taxa ambiental: tecnologia a serviço da preservação
Um dos exemplos mais concretos de como tecnologia e gestão pública se combinam em Guarujá é a implantação da Taxa de Preservação Ambiental. A Câmara Municipal do Guarujá aprovou a TPA, que institui uma cobrança para turistas com veículos que transitem pela cidade, visando financiar ações de conservação, infraestrutura turística e combate ao turismo predatório. O mecanismo de cobrança previsto é inteiramente digital: o pagamento poderá ser realizado por aplicativo, site, QR Code ou postos credenciados, com cobrança proporcional ao tempo de permanência do veículo na cidade e limitação máxima de 15 diárias por mês. ND MaisISTOÉ
Essa arquitetura digital de arrecadação não é apenas uma questão de conveniência. É também uma forma de gerar dados sobre o fluxo de visitantes: de onde vêm, por quanto tempo ficam, quais praias acessam com mais frequência. Com o cruzamento desses dados com informações de balneabilidade e capacidade de infraestrutura, a prefeitura terá condições de planejar com maior precisão os períodos de alta temporada e distribuir melhor os recursos de limpeza, segurança e serviços básicos pelas diferentes praias do município.
Monitoramento ambiental inteligente nas praias
O uso de sensores conectados para monitorar a qualidade da água e a ocupação das praias em tempo real é uma tendência que cidades europeias e algumas cidades brasileiras já começaram a implementar. Em Guarujá, a pressão sobre as praias urbanas de Pitangueiras e Enseada, as mais acessadas pelos turistas, é permanente durante o verão e nos feriados prolongados. Sistemas de câmera com análise de imagem por inteligência artificial permitem estimar o número de pessoas em determinada faixa de areia, acionar equipes de limpeza de forma preventiva e alertar sobre acúmulo de resíduos em pontos específicos antes que o problema se torne visível ao público.
Especialistas apontam que os avanços em modelos multimodais de IA, que combinam texto, imagem, áudio e dados estruturados, ampliam a capacidade da tecnologia de interpretar cenários complexos, com aplicações em análise de imagens e vídeos em tempo real. Para cidades litorâneas, essa capacidade é especialmente relevante porque permite identificar padrões de ocupação, detectar situações de risco nas águas com maior rapidez e monitorar áreas de preservação ambiental que ficam próximas às praias mais movimentadas, como a Serra do Mar no entorno de Guarujá. Scansource
O turista conectado e o que ele espera da cidade
O perfil do visitante de Guarujá mudou nos últimos anos. Quem chega à Pérola do Atlântico hoje, em geral, já pesquisou previamente as praias com melhor balneabilidade, consultou avaliações de restaurantes em plataformas digitais e planejou o roteiro por aplicativos de mobilidade. A tecnologia que antes era tendência agora funciona como infraestrutura invisível, presente nas decisões que vão do diagnóstico ao crédito bancário, e o turismo não é exceção. O visitante espera que a cidade ofereça conectividade, informação em tempo real e serviços que se adaptem ao seu comportamento, não o contrário. TechTudo
Guarujá tem diante de si uma janela de oportunidade que combina o apelo natural das praias com a capacidade de modernizar a gestão turística. Iniciativas como a nova taxa ambiental digital, se bem implementadas, podem posicionar a cidade como referência em turismo sustentável e tecnológico no litoral paulista. O desafio está em garantir que a tecnologia sirva tanto ao turista quanto ao morador, reduzindo congestionamentos, melhorando a qualidade das praias e distribuindo de forma mais equilibrada o fluxo de visitantes ao longo do ano. O verão de 2026 e 2027 serão o primeiro teste real desse novo modelo de gestão.
Fontes: Prefeitura de Guarujá | NDMais | ISTOÉ | Deloitte

