Com a pista entregue e o terminal em construção, o aeroporto de Guarujá aguarda etapas regulatórias para dar início aos voos comerciais em 2026.
Há anos Guarujá ocupa o imaginário de quem visita o litoral paulista como um destino que merece muito mais do que a travessia de balsa de Santos. O Aeroporto Civil Metropolitano, instalado na área da Base Aérea de Santos, no bairro Vicente de Carvalho, vem sendo construído exatamente para mudar essa equação. Em 2026, o projeto entrou na sua fase mais decisiva: com a pista de pousos e decolagens já entregue, as atenções se voltam para o terminal de passageiros, a homologação da Anac e a definição das operadoras aéreas que vão inaugurar as rotas. A pergunta que paira sobre moradores, empresários e turistas é simples: quando os primeiros voos vão decolar?
A resposta não tem data oficial, mas tem contornos mais nítidos do que nunca. Segundo informações da Prefeitura de Guarujá e do deputado federal Paulo Alexandre Barbosa, o governo federal garantiu R$ 4 milhões para financiar os estudos e documentos necessários à homologação, após reunião em Brasília com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. A estimativa mais otimista aponta dezembro de 2026 como um prazo tecnicamente viável para o início das operações comerciais.
Da pista ao terminal: o que já foi construído
A primeira fase das obras, concluída em abril de 2025, entregou a pista de pousos e decolagens com 1.390 metros de comprimento e 45 metros de largura. Junto com ela, foram finalizadas as pistas de taxiamento, o cercamento operacional e as barreiras de proteção da fauna. O investimento municipal nessa etapa foi de aproximadamente R$ 24,1 milhões. Na sequência, a Prefeitura iniciou a terceira fase de obras viárias de acesso ao aeroporto, com intervenções na Rua São Paulo e na Avenida Presidente Castelo Branco, em Vicente de Carvalho, cobrindo um trecho de cerca de 3 quilômetros. Esse pacote, orçado em R$ 7 milhões com recursos do Dadetur e contrapartida municipal, contempla nova pavimentação, drenagem aprimorada e sinalização viária moderna.
O terminal de passageiros, etapa considerada o último grande marco estrutural antes da operação, está em andamento. A solução adotada é modular e provisória: uma estrutura de 302 m², montada com 21 peças, com capacidade para atender 24 passageiros simultaneamente. A ideia é que esse terminal provisório permita o início das operações enquanto uma solução definitiva é planejada. Não se trata de um improviso, mas de uma estratégia de implantação gradual que permite ao aeroporto começar a funcionar sem aguardar a construção de uma infraestrutura permanente de grande porte.
O que ainda precisa acontecer para o aeroporto operar
O maior gargalo do projeto não é a obra em si, mas a burocracia regulatória necessária para homologar o aeroporto junto à Agência Nacional de Aviação Civil. O Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromo, conhecido pela sigla PBZPA, é o documento que identifica as interferências no entorno do aeroporto e orienta os limites de segurança para construções e atividades próximas à pista. Sem ele aprovado pela Anac, o aeroporto não pode operar comercialmente. Além disso, o Plano Diretor Aeroportuário, cuja elaboração foi solicitada à Infraero, deve levar até oito meses para ser concluído, o que torna o cronograma apertado mas não impossível.
Outro ponto de atenção é a coordenação com a Base Aérea de Santos, que divide o espaço com o futuro aeroporto civil. Qualquer operação precisa ser harmonizada com a rotina militar, o que exige planejamento e protocolos específicos. A gestão municipal avalia que o aeroporto começará operando com aeronaves da categoria 2B, como os modelos Super KingAir 350 e ATR 42-600, com capacidade para até 50 passageiros por voo. Essa configuração inicial é compatível com as rotas regionais mais prováveis, como ligações com São Paulo e outros destinos do interior paulista. Para os guarujaenses, o significado vai além da comodidade: um aeroporto civil bem posicionado é um fator de atração de negócios, turismo e investimentos que pode redesenhar o perfil econômico da cidade nas próximas décadas.
Fontes: Diário do Litoral | Metrópoles | Prefeitura de Guarujá | Aerojota
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

